Vivendo em hipermídia

Recortes de um consumidor compulsivo de hipermídia.

Só se suicidam os otimistas, os otimistas que não conseguem mais sê-lo. Os outros, não tendo nenhuma razão para viver, por que a teriam para morrer?

Emil Cioran, em Silogismos da amargura.

Refutação do suicídio: não é deselegante abandonar um mundo que com tão boa vontade se pôs a serviço de nossa tristeza?

Emil Cioran, em Silogismos da amargura.

A vida, esse mau gosto da matéria.

Emil Cioran, em Silogismos da amargura.

A tenacidade que empreguei em combater a magia do suicídio teria me bastado para alcançar a salvação, para pulverizar-me em Deus.

Emil Cioran, em Silogismos da amargura.

Por que desfazer-se de Deus para refugiar-se em si mesmo? Por que essa substituição de cadáveres?

Emil Cioran, em Silogismos da amargura.

Se a História tivesse uma finalidade, como seria lamentável o destino daqueles que, como nós, nada fizeram na vida. Mas no meio do absurdo geral, nos erguemos triunfantes, nulidades ineficazes, canalhas orgulhosos de haver tido razão.

Emil Cioran, em Silogismos da amargura.

Quando não tivemos a sorte de ter pais alcoólatras, devemos nos intoxicar toda a vida para compensar a pesada herança de suas virtudes.

Emil Cioran, em Silogismos da amargura.

Não me pergunte mais qual é o meu programa: ‘respirar’ não é um?

Emil Cioran, em Silogismos da amargura.

Envelhecendo aprendemos a converter nossos terrores em sarcasmos.

Emil Cioran, em Silogismos da amargura.

Bem no meio de importantes estudos, descobri que ia morrer um dia…, minha modéstia desapareceu imediatamente. Convencido de que não me restava mais nada aaprender, abandonei meus estudos para informar o mundo de tão extraordinária descoberta.

Emil Cioran, em Silogismos da amargura.

Sonhas em incendiar o universo e nem sequer conseguiste comunicar tua chama às palavras, nem sequer conseguiste ‘acender’ uma só!

Emil Cioran, em Silogismos da amargura.

Por necessidade de recolhimento, livrei-me de Deus, desembaracei-me do último ‘chato’.

Emil Cioran, em Silogismos da amargura.

No pessimista se combinam uma bondade ineficaz e uma maldade insatisfeita.

Emil Cioran, em Silogismos da amargura.

A lisonja transforma uma pessoa de caráter em uma marionete, e, em um instante, sob a influência de sua doçura, os olhos mais vivos adquirem uma expressão bovina. Insinuando-se mais fundo que a doença, e alterando, ao mesmo tempo, as glândulas, as entranhas e o espírito, ela é a única arma de que dispomos para dominar os nossos semelhantes, para desmoraliza-los e corrompê-los.

Emil Cioran, em Silogismos da amargura.

O desejo de morrer foi minha única preocupação; renunciei a tudo por ele, até a morte.

Emil Cioran, em Silogismos da amargura.